14 de junho de 2011

Faz-me vento também

Choro, e pesa-me o choro. Pesam as lágrimas chumbadas, descendo, arranhando o rosto, frias. Carregam com elas o meu desespero, o meu pesar. As mãos tentam conter o sofrimento, segurando, trêmulas, mas tudo escapa a elas. Os soluços emergem, incontrolados. Então, de inesperado, vem o vento. Acaricia-me o rosto, com ternura. E aí se faz o consolo; o choro fica manso. Milagroso vento, que me preenche por inteiro. Toma minhas superfícies e vem adentro, povoa meu vazio, faz-me vento também.

Nenhum comentário:

Postar um comentário