20 de março de 2011
- E vá viver sua liberdade!
Foi o que disse meu pai, da última vez que me viu. E eu, eu digo que sim, mas penso que talvez, só talvez, possa ser possível. Difícil, eu diria. A liberdade me é fluida como os olhos fugitivos da moça, aquela moça que eu conheço e a quem esses olhos são peculiares. Eu persigo a liberdade, vou em seu encalço, mas ela me escapa porque não quer ser minha prisioneira, quer é ser livre. Sua condição começa e termina nela mesma, não há impulso externo que a crie; ela expressa o que é por si só, apenas sendo. E eu, com minha calma mais externa que interna, amante dela desde os primórdios até minha eternidade, fico aqui de cabelo meio de lado, de vento meio no rosto, de sonhos meio nos olhos, pensando na liberdade que mora dentro de mim mas que não deixo ser.
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