Não sei vocês, mas eu só consigo escrever decentemente quando estou inspirada. E hoje não estou inspirada...mas louca de vontade de escrever! Já aprendi uma coisa: eu fico inspirada para escrever mais facilmente quando não há pressão para isso (exercida por mim mesma, claro). Quando fico pensando “eu preciso escrever algo sobre aquilo que aconteceu, antes que esqueça de como foi” já fica difícil! A minha criatividade não jorra de chafarizes ininterruptos de imaginação; ela vem quando a mente está livre, tranquila e desejosa de transmitir para algo concreto as ideias rondantes. E escrever sem nenhuma criatividade para dar uma força é sofrível...no meu caso, pelo menos.
Às vezes parece também que os recursos que tenho à disposição para me expressar (escrever textos ou falar, por exemplo) não são suficientes para tal coisa. É como se eu tivesse muito a dizer mas simplesmente não soubesse o que tem a ser dito, por estar tudo embaralhado na cabeça. Mas o pior mesmo é saber e não conseguir exprimir, não achar palavras para tanto! O duro é que depois de tentar exprimir um sentimento ou uma situação e não conseguir, ao reler o que escrevi, aquilo parece tão medíocre que nem lembro mais do sentimento da maneira como era antes de ter escrito...é como se já o tivesse contaminado. Foi como disse Clarice Lispector, em : “É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.”
Bom, essas são confissões de alguém que gosta de escrever, mas que muitas vezes não consegue ser bem sucedida...afinal, sempre que se lê algo bom, pensa-se que aquilo brotou do nada, com o mínimo de esforço possível, o que nem sempre é verdade... :)
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